quarta-feira, janeiro 12, 2011

Afanassief



Quando, em 2006, Valdesir Machado (BRA), Gabriel Otero (ARG) e eu, Edemilson Padilha, atingimos o cume do Cerro Fitz Roy pela via Afanassief, na Patagônia Argentina, não poderíamos imaginar que 5 anos depois estaríamos tristes por levar a termo tal empreitada.
Jean Afanassief foi o líder da equipe francesa que abriu esse lindo itinerário em 1979. Até 2006 ele ainda não havia sido repetido. Nós tivemos a grande honra de passar por ali no final de janeiro daquele ano, recorrendo os seus 2300 metros de granito. E o fizemos em estilo alpino, ou seja, levando tudo conosco. Duas cordas de 60 metros de 8mm, 9 friends, 2 jogos de stoppers e 15 costuras eram nosso equipamento de escalada. De El Chaltén partimos com nossas mochilas de 40 litros de volume cheias de coisas penduradas. Tudo começou meio mal: partimos com clima bem ruim, chegando à base encontramos o cadáver de um escalador e uma equipe de americanos que tentaria a mesma via; no outro dia eles saíram na frente e nos atrasaram um pouco, pois estavam mais pesados. Depois as coisas começaram a melhorar e na metade do dia os americanos decidiram parar para bivacar, pois o clima estava estranho. Nós seguimos, pois a previsão dizia que no outro dia haveria céu azul. Não sei precisar quantos metros escalamos naquele dia, só sei que foi até não aguentarmos mais, até nossos corpos terem de parar para se recuperarem. No outro dia o clima amanheceu pior ainda, mas naquele ponto teríamos de “desistir por cima”. Escalamos revezando a ponta da corda e conseguimos pisar o cume do Cerro Fitz Roy às 19 horas mais ou menos. A emoção e a preocupação tomaram conta de nós. Teríamos de descer pelo outro lado da montanha, o que sabíamos que nos custaria caro, pois não conhecíamos toda a rota de descida. Anoiteceu e nos perdemos nos rapéis, nossas cordas enroscaram em uma das “puxadas” e nos vimos passando a noite sentados em um pedacinho de gelo naquela imensidão. Sentimo-nos ínfimos. Esperamos algumas horas até amanhecer. A luz do sol nos alentou e pudemos recuperar nossa auto-estima. Encontramos a rota de descida e pisamos El Chaltén no final daquele longo dia. Até hoje ainda recordo com felicidade daqueles momentos em que pudemos compartilhar com os amigos a nossa façanha.
Todavia, há uns dias, quando recebi a notícia do acontecido com o amigo Bernardo, senti muita tristeza. Há 20 anos escalo montanhas e já perdi gente amiga e gente conhecida em atividades de montanha. Mas quando é tão próximo e em uma via que já escalamos, perdemos um pouco o chão. E também pela figura sensacional que este brother sempre foi. Não preciso engrossar a lista das centenas de adjetivos que todos expressaram por ele nesses últimos dias. Espero que seu espírito encontre a paz. Espero também que a Kika possa encontrar a paz, pois tomar aquela decisão não deve ter sido nada fácil. E também não deve ter sido nada fácil encontrar uma maneira de descer por aquela face. Para nós, em 3 “marmanjos” já foi duríssimo. O que dizer então de uma pessoa sozinha com quilômetros de granito e gelo por todos os lados, centenas e centenas de metros de rapel, gretas para atravessar, pedreiros para descer e tudo isso sem ter com quem dividir a carga enorme de ter tido que deixar para trás um amigo e companheiro de escalada.
O que podemos depreender dessa fatalidade é que ela realmente foi uma fatalidade. Tínhamos dois escaladores competentes, realizando uma escalada para a qual estavam bem preparados e aconteceu uma falha no ponto de rapel. Nesse estilo de escalada as ancoragens de rapel não são 100% confiáveis. Há que se testar tudo e armar pontos de rapel, pois as vias não estão preparadas com 2 grampos, como as rotas de escalada esportiva. Muitas vezes laçamos um bico de pedra com uma fita e passamos a corda diretamente nela. Pois não há como equipar uma via dessas, num lugar desses, com paradas perfeitas. Seria necessário um “caminhão” de equipamentos, e, no momento, tudo de que dispomos é do material que estamos usando para escalar a via. Em 1995 ajudei no resgate de um americano que sofreu o mesmo tipo de acidente, uma fita velha se rompeu.
E o que podemos fazer para evitar acidentes? Acredito que a coisa mais importante que podemos fazer se chama autoconhecimento. Sabendo nossos limites podemos encontrar desafios que sejam compatíveis com nosso nível. Depois vem a estratégia para escalar cada rota e em cada tipo de montanha ou de clima. Na Patagônia a estratégia é sempre escalar rápido e leve, porque o clima é horrível. Outro ponto importante é a pesquisa. Sempre recebo e-mails pedindo informações sobre determinadas montanhas e muitas das vezes a pessoa nem procurou no google as informações básicas. Pesquisar tudo sobre o local é imprescindível. Falar com quem já fez a via, levar os equipamentos adequados, a água necessária, a comida certa, roupa certa...
Tudo isso minimiza as possibilidades de acidentes, mas não os reduz a zero. Sempre existem fatores sobre os quais não temos controle: uma pedra, um desprendimento de gelo, ou uma ancoragem que se solta, como no caso citado acima. Porém, temos a obrigação de cuidar de todos os detalhes e nunca sermos negligentes com a segurança, pois um resgate em montanha é arriscadíssimo para todos os envolvidos. Devemos ser paranóicos com a segurança e não economizar esforços para permanecermos praticando o esporte de que tanto gostamos. Façamos isso em homenagem aos que nos amam e em homenagem aos que foram antes da gente e que também partilhavam dos mesmos ideais, como o Bernardo Collares, a Roberta Nunes, o Vitor Negretti, o Daniel Valentin...

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Bernardo Collares morre no Fitz Roy



Fotos: Frase do Bernardo, retirada do orkut. Bernardo Collares.

Como já está rolando na internet muitas informações desencontradas sobre a morte de nosso grande amigo e grande personagem do montanhismo brasileiro, Bernardo Collares, gostaria de colocar aqui o texto explicativo do André Ilha. Este elucida alguns pontos a fim de evitar o falatório que se vê nesses casos em que há mortes no meio do montanhismo.

O Bernardo era um escalador carioca muito experiente e sua parceira de escalada Kika Bradford também. Tentaram a via Afanassief, no Cerro Fitz Roy, via enorme, mais de 2000m de extensão, escalada poucas vezes até hoje. Não era a primeira vez que a experimentavam, pois ano passado o Bernardo esteve por lá e já havia escalado um bom tanto da via.

Segue texto de André Ilha, escalador carioca e amigo dos dois escaladores envolvidos nesse trágico acidente:

Oi pessoal,

Falei longamente com a Kika há pouco (fisicamente, ela está bem, mas está arrasada), que me descreveu melhor os detalhes, mas não há nada muito diferente do que já foi divulgado, exceto pelo fato de que eles NÃO atingiram o cume do Fitz pela via Afanassief, embora tenham chegado muito próximo, e o acidente aconteceu logo no primeiro rapel - a ancoragem saiu, ou se rompeu ou a pedra se partiu, isso acho que nunca se saberá ao certo. A Kika desceu primeiro, nada aconteceu, e enquanto armava a segunda ancoragem o Bernardo voou; ela pegou a corda no reflexo, mas não teria conseguido segurar, claro, se a corda também não tivesse passado por acaso por trás de um bico de pedra. O resto ela própria poderá dar mais detalhes no momento possível.

Mas o importante agora é o seguinte: a imprensa, gostemos ou não, É assim, aqui e em qualquer lugar no mundo, pois ela é voltada para a opinião pública e a opinião pública quer sensacionalismo. Ninguém para na rua para ver um carro estacionando corretamente, mas sai correndo para ver quando há uma batida, por menor que seja.

Como vocês podem recordar muito bem, nas mortes do Mozart no Aconcágua, do Vitor Negreti no Everest, ou daquele cara cujo nome não me recordo na África, a imprensa deu um destaque absurdo, e a pior coisa que poderia acontecer agora seria deixar a coisa correr solta, publicarem ou falarem barbaridades e denegrir a imagem do esporte e dos nossos amigos - particularmente crucificarem a Kika por não ter permanecido no Fitz para morrer junto com o Bernardo e não fazer a única coisa lógica e racional possível que era descer para tentar um resgate de helicóptero, a única chance que ele teria de sobreviver, mas não teve. E, acreditem, só uma pessoa MUITO experiente e determinada como ela conseguiria sobreviver à inacreditável descida sozinha, seguida de travessia da geleira, com um bivaque ao relento sem saco de dormir, debaixo de neve o tempo todo. Foram mais de 50 rapéis, com a corda prendendo o tempo todo, e ela chegou na base com um pedaço de 17 metros e outro pouco maior das duas cordas originais de 60 metros...

Então, o papel de TODOS nós é contribuir para que a realidade da escalada em locais como a Patagônia seja mostrada com exatidão - já houve diversas outras mortes por lá nesta temporada - para que não venha mais uma bateria de projetos de lei estapafúrdios por aí, sendo que agora não temos mais o Bernardo para lutar contra eles...

Eu estou sendo caçado dia e noite por jornalistas de tudo quanto é órgão de imprensa para dar mais detalhes e, após falar previamente com as duas famílias, decidi atender a todos os que for possível (lembrando-os sempre de procurarem os diretores da FEMERJ, como Júlio e Bugim, que também já falaram com alguns deles) para esclarecer da melhor foma possível a situação. Até meia noite ligaram lá para casa, e hoje não consegui trabalhar nada... Mas vale a pena todo o esforço agora, pois além de as duas famílias serem um pouco poupadas assim, a gente consegue evitar manchetes e conteúdos muito ruins, cheios de coisas absurdas que gerarão ainda mais especulação infundada.

Por fim, lamentavelmente a situação do nosso amigo era diferente da do Joe Simpson ou de outros casos em que houve sobreviventes em condições miraculosas, pois as lesões dele foram terríveis. Esse é o grande diferencial.

Abraços e beijos,

André

terça-feira, dezembro 28, 2010

Aqui na Conquista





Pôr do sol perfeito, tucano, coruja e o Avatar, novo companheiro (cão pastor alemão). Tudo isso aqui onde trabalho! É o paraíso!

Feliz Natal e um 2011 cheio de obstáculos, é o que desejo a todos meus amigos!!!

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Fotos do Conquista Open Boulder






Irado!!!!!!!!!! Isso que todos os competidores disseram sobre o evento. Boulders alucinantes, prêmios muito bons e aquela vibe que todos conhecemos quando junta toda a galera. Feliz de quem participou e parabéns aos que dividiram a boa grana e os equipamentos que foram oferecidos pela Conquista em comemoração aos seus 20 Anos de existência! Ano que vem queremos mais!!!! Mais fotos: www.conquistamontanhismo.com.br

quinta-feira, dezembro 02, 2010

+ Palestras




No segundo dia de palestras do evento de 20 Anos da Conquista, André Berezoski, o Bele nos falou sobre os seus momentos na escalada. Levou-nos a conhecer a rotina de competições das quais sempre fugia no final para escalar em rocha ou subir alguma montanha. Depois veio o Waldemar Niclevicz falando sobre a escalada da Torre de Trango, no Paquistão. Uma escalada complexa, num lugar longe de tudo, com uma logística gigantesca. Foi alucinante!!!

sexta-feira, novembro 19, 2010

Abertura Evento Conquista 20 Anos



Começou ontem o evento de comemoração dos 20 Anos da Conquista Montanhismo. Abri o evento palestrando sobre minha carreira de 20 anos no montanhismo, mostrando uma boa coleção das melhores fotos das principais escaladas que realizei e depois o José Luiz Hartmann, mais conhecido como Chiquinho, apresentou a evolução da escalada no Marumbi, desde os primórdios até os dias atuais.
O público curtiu muito as palestras e ficou empolgado para ir escalar na Patagônia ou nas belas paredes do Marumbi. E esta era a idéia das palestras mesmo, compartilhar bons momentos com a galera e dar dicas de escaladas e de lugares para conhecer!!!
E hoje tem mais duas palestras: André Berezoski, que fala sobre a sua carreira na escalada esportiva, boulder e competições; seguido de Waldemar Niclevicz, que nos contará da experiência de escalar uma das Torres de Trango, no Paquistão!
As palestras acontecerão no Sesc Centro, Curitiba. Rua José Loureiro, 578. Horário: 19:30 horas, no dia 19 de novembro.
Mais informações sobre o evento:
Aqui no Blog ou www.conquistamontanhismo.com.br

quinta-feira, novembro 18, 2010

Palestra Hoje no Sesc Centro Curitiba!!!


Confira a programação do evento Conquista 20 Anos. Palestro hoje no Sesc Centro juntamente com o Chiquinho.

quinta-feira, novembro 11, 2010

Palestras Conquista 20 Anos


Em novembro deste ano completamos 20 anos e resolvemos fazer um super evento para comemorar com os amigos da marca esta conquista tão bacana. Todos sabem que para se manter num mercado tão complicado como o brasileiro é necessário muito esforço. E sempre nos empenhamos para oferecer aos nosso clientes o que há de melhor em produtos para aventuras!

Então, seguindo este raciocínio, resolvemos fazer um evento com alto nível de profissionalismo e qualidade. E para abrilhantar o evento, trouxemos alguns dos grandes nomes do montanhismo brasileiro.

Abrindo o evento, na quinta feira, 18 de novembro, teremos Edemilson Padilha, fundador da Conquista Montanhismo, contando sobre seus 20 Anos de Escaladas, depois o José Luiz Hartmann, o Chiquinho, explicando como a escalada se desenvolveu no Marumbi, desde a época das primeiras conquistas até a atualidade.

Na sexta-feira, 19 de novembro, a noite começa com André Berezoski, grande escalador paranaense também, com a palestra Momentos na Escalada Esportiva e fechando o dia Waldemar Niclevicz, escalador brasileiro que dispensa apresentações, fazendo uma palestra diferente: A Escalada da Trango Tower, no Paquistão. Diferente porque o Waldemar vive dando palestras sobre o Everest, K2 e outras montanhas de grande altitude. Mas sobre a Trango, que é uma montanha espetacular, não realizou ainda muitas apresentações.

Programação:

Quinta, 18 de Novembro, 19:30 horas:

Edemilson Padilha, 20 Anos de Conquistas. O fundador da Conquista conta sua história de escalador, desde o início nos granitos e arenitos paranaenses, até chegar ao cume do Cerro Fitz Roy, na Patagônia Argentina, uma de sua maiores conquistas.

José Luiz Hartmann, A Escalada no Marumbi. O Chiquinho, como é conhecido, faz um relato desses 60 anos de escaladas no Marumbi, mostrando como se iniciou a escalada técnica nesta montanha e como o estilo foi se aprimorando com o passar dos anos. Também nos conta quais os desafios que atraem os escaladores para as míticas paredes graníticas do Conjunto Marumbi na atualidade.

Sexta, 19 de Novembro, 19:30 horas:

André Berezoski, Momentos na Escalada Esportiva. A palestra relata através de fotos, desde o começo de sua escalada em 1992 no Anhangava, passando por todas as competições, viagens e escalada em rocha, acompanhando sua evolução, grandes eventos e situações relacionadas a treino de alta performance em rocha e em competições. Traçando um paralelo dos últimos 18 anos da escalada esportiva com sua carreira, através de situações e momentos que ocorrem para todos escaladores de qualquer nível.

Waldemar Niclevicz, Torre de Trango, Paquistão. O conhecidíssimo escalador paranaense nos conta como foi a escalada da Torre de Trango, no Paquistão. Mais de 6000 metros de altitude, mais de 1500 metros de paredes verticais. Rocha, gelo, frio, ventos fortíssimos, e muitos outros desafios enfrentados pela primeira equipe latina a pisar no cume impressionante torre de granito. Com belas fotos e um vídeo mostrando a preparação e a escalada desta bela e complexa montanha.

Informações:

Local: Sesc Centro
Endereço: Rua José Loureiro, 578 | Centro | Curitiba | PR
Datas: 18 e 19 de Novembro de 2010
Horário: 19:30 horas
Entrada: Gratuita
Dúvidas: (41) 3292-4259

quarta-feira, novembro 10, 2010

Curucaca





Tirei umas fotos no domingo do Ian escalando no Curucaca. Foi massa, tempo perfeito e boas companhias. Estava por lá também escalando o Willian de PG, o Buigio e o Val. Este último também fez algumas imagens bem legais!

segunda-feira, novembro 08, 2010

Setor 1 - Cristo (São Luis do Purunã-PR)



Aqui na Serra de São Luiz do Purunã ocorrem entardeceres muito bonitos, como este retratado nas fotos. Numa delas apareço lado a lado com meu filho Ian, meu companheiro de escalada para os setores esportivos. Na outra é ele quem aparece sozinho. As cores são lindas e o que mais me impressiona é a sensação de espaço, de poder enxergar bem longe! Por isso gosto tanto de escalar por aqui!

quinta-feira, outubro 21, 2010

Conquista Open Boulder 2010


Vem aí o evento do ano! O Conquista Open Boulder 2010, em comemoração aos 20 Anos da Fundação da Conquista. Serão 3 dias, com palestras, campeonato e festa!

De 18 a 20 de Novembro de 2010.

Mais informações: www.conquistamontanhismo.com.br

quinta-feira, outubro 14, 2010

Hard Patagônia - Parte 3






2005. Seguindo os conselhos meteorológicos dos irmãos Huber, bivacamos no fundo vale e decidimos escalar duas montanhas uma só janela de bom tempo. No primeiro dia entramos no Mocho e no segundo na Agulha Media Luna. Duas escaladas memoráveis, escalando ao lado de Isaac Cortes, catalão companheiraço e grande amigo.

Media Luna, via Rubyo y Azul: 400m, 6º, 6c+FR. Aproximação saindo do Niponino e subindo à esquerda do vale até o Bivaque Noruego. Daí mais 20 minutos até a base, pode ser que se necessite de grampons para acessar a base. Mais ou menos 1:30 desde niponino até a base da via. A via é muito bonita, sempre por fissuras perfeitas, escalando o dia inteiro sob o sol e protegido do vento quando tem tempo bom! O crux é forte, mas dá pra roubar... E fica dentro de uma chaminé, só que se escala pelas fissuras, não no estilo chaminé. Rapel pela via.

El Mocho, via Salvaterra-Cavalaro: diedrão de 400m, 6º, com crux 6cFR, linda via! Mesma aproximação da Media Luna. Glaciar meio esquisito, pode precisar de grampons e encordar-se para atravessá-lo. Rapel pela via. Pela manhã não bate muito sol, então prepare-se para passar um pouco de frio quando estiver entalando as mãos nas fissuras perfeitas da via!

(Foto 1: Ed guiando na via Salvaterra - Cavalaro, El Mocho. Foto 2: Isaac na Media Luna. Foto 3: Maciço Torre. Foto 4: Linha Mocho. Foto 5: Linha Media Luna.)

segunda-feira, outubro 04, 2010

Hard Patagônia - Parte 2





Outro lugar para escalar no princípio da experiência Patagôniaca Hard é a partir do Bivaque Niponino (o nome originou-se do fato do lugar estar exatamente entre os dois bivaques mais famosos: Polacos e Noruegos. Então Ni-po-ni-no quer dizer Ni Polacos ni Noruegos...coisa de argentino... rs). Fica entre as cadeias do Torre e do Fitz, num vale alucinante. Para chegar ao Niponino sai de Chalten caminhando em direção à Laguna Torre. Passa pelo Acampamento D'Agostini, passa uma tirolesa sobre o Rio Fitz Roy e segue pela trilha bem marcada até encontrar o Glaciar Torre (aí é meio complicado, mas geralmente há pircas (totens) marcando o caminho. Atravessa o Glaciar em diagonal (é um glaciar de “gelo vivo”, então não precisa nem de grampon normalmente e nem andar encordado) até o Vale entre as cadeias do Fitz (à direita) e do Torre (à esquerda). Aí no meio vai estar o Noponino que é um ponto de bivaque bom para armar uma barraca e ficar vários dias escalando. Aí tem água corrente e é protegido do vento.
A partir deste acampamento base avançado se pode escalar montanhas mais tranquilas como: Aguja de la "S", Media Luna, Mocho. Ou montanhas mais difíceis: Rafael Juarez, Saint Exupery, Poincenot pelo oeste (a via normal q é fácil é pelo leste) ou Cerro Torre!

Aguja de la S (face oeste): Faz a caminhada de aproximação passando pelo bivaque Polaco, e pela base da Agulha Saint Exupery. Pega uma canaleta esquisita que leva ao colo entre as agulhas Exupery e S. Deste colo escala um “largo” fácil, caminha um tanto até uma aresta óbvia atrás de uma torrezinha. São 4 cordadas até o cume. O cume da direita é o mais alto. Escalada fácil, 5º grau. Dá pra fazer tudo em simultâneo. Eu e o Val escalamos esta agulha em 1 hora. O mais difícil foi a caminhada (quase escalada) de aproximação. Estávamos só de tênis de caminhada e sem equipamento de gelo subindo pela canaleta congelada. Foi um tanto arriscado. Vale a pena ir com equipo de gelo até o Col. No mais é curtição! Se o tempo estiver bom, é claro...

terça-feira, setembro 28, 2010

Escaladas na "hard" Patagônia





Existem muitos lugares para escalar na Patagônia. Os dois mais conhecidos são Bariloche e El Chaltén.
No primeiro temos 2 setores mais frequentados: Frey e Vale Encantado. Estes points perto de Bariloche abrigam dois estilos completamente diferentes de escaladas. No Vale Encantado estão as vias de escalada esportiva mais alucinantes da Argentina. Já no Frey há centenas de vias de escalada tradicional light.
Já El Chaltén, que fica 1200Km ao sul de Bariloche, o buraco é mais embaixo... Possui um clima bem mais selvagem e escalada tradicional para quem já se acostumou a sofrer nas montanhas...
Estes dias um amigo me pediu informações sobre El Chaltén, então escrevi um texto sobre o lugar e como adentrar nessa natureza selvagem.
Info sobre o lugar: www.elchalten.com
Todos os croquis das vias: www.climbinginpatagonia.freeservers.com
Perguntei para um amigo meu que vive em Chalten e ele me disse que, atualmente, a galera da escalada fica no Albergue Del Lago. Lá dá pra acampar e parece que o preço é 10 pesos por dia, o que daria 5 reais por pessoa por dia. Ele não tinha certeza do preço, mas acho que não deve ser muito mais caro. Um outro amigo ficou num outro camping e pagou 20 pesos por dia. Em Chalten se pode comprar comida, equipos, combustível, ou seja, praticamente tudo o que precisamos nas montanhas.
Qual montanha/via escalar antes?
Para começar é legal tentar alguma via na face norte do Guillaumet. Eu escalei a via chamada Espolón Brenner, 6º. É uma via legal, fácil tecnicamente, tem 500m, toda em rocha. A aproximação se faz pela trilha que chega à Piedra del Fraile (camping), 2 horas de caminhada, mais umas 3 horas depois, subindo um caminho à esquerda q leva a Piedra Negra (ponto onde as pessoas bivacam, um lugar meio desprotegido). Mas é bom dormir aí porque está bem perto da base da via, mais ou menos uma hora. O Rapel se faz pela crista onde corre a via até encontrar com uma canaleta de gelo (Via Amy). Rapela por esta via e caminha um pouquinho na neve até a base da via Brenner. Se quiser leva calçado ou caminha de sapatilha mesmo (molha o pé rsss). Pra chegar no começo da trilha de Piedra del Fraile o melhor é pagar um taxi de Chalten, são uns 15Km.
Continua na próxima postagem...

segunda-feira, agosto 30, 2010

Palestra CPM






Quarta-feira próxima, dia 01 de setembro, estarei palestrando no CPM: 20 Anos de Escaladas. Será uma apresentação das melhores fotos e histórias de minhas escaladas pelo mundo, desde o início, no Morro do Anhangava, passando pelas conquistas nos arenitos, depois seguindo para as grandes paredes, as escaladas na Patagônia, EUA e Europa. Finalizando com o Vídeo da última expedição realizada pelo Velho Mundo!

Info: CPM (Clube Paranaense de Montanhismo) Rua Flávio Dallegrave nº 5044 - Boa Vista, Curitiba, Palestra Edemilson Padilha. 20 Anos de Escaladas. Horário: 20 horas. Entrada gratuita.

terça-feira, agosto 24, 2010

Pedrão de Pedralva





No fim de semana passado aconteceu em Itajubá o 8º Festival de Montanha ddo Sul de Minas, e, como de costume, não pudemos deixar de prestigiar o evento, que contou com várias atividades: caminhadas, escaladas, palestras e apresentação de novo setor de escaladas.
No sábado, durante a manhã, aproveitamos (eu e o Cristiano Kulka) para escalar o Pedrão, localizado na cidade de Pedralva. Com um calor que quase derretia as sapatilhas, desfrutamos dos 320 metros da via Evolução, toda em livre com graduação em torno de 6º grau.
Desfrutamos também da hospitalidade mineira, do pão de queijo e do pé de moleque de Piranguinho. A região é um excelente local para prática d todo o tipo de escalada, do boulder até as grandes paredes! K-mon!

quinta-feira, agosto 12, 2010

Festival de Montanha em Itajubá


Nos dias 20, 21 e 22 de agosto acontece em Itajubá-MG a oitava edição do Festival de Montanha do Sul de Minas. Como de praxe, estarei palestrando sobre as minhas escaladas pelos mundo, numa apresentação das minhas melhores fotos desde que iniciei no montanhismo no Anhangava, passando a escalar nos arenitos, conquistando vias pelo sertão mineiro e do ES e depois Patagônia, EUA e Europa. Prestigiem, pois este evento é sempre muito bacana e organizado por pessoas sérias e muito hospitaleiras!
Para mais info: www.cmi.org.br/festival8